A abordagem da Artrite Psoriática varia de acordo com o tipo e a gravidade. Além do Reumatologista, que é quem coordena a terapêutica, vários profissionais de saúde podem intervir em várias fases do tratamento, incluindo o Médico de Família, o Fisiatra, o Ortopedista, o Dermatologista, o Fisioterapeuta, o Terapeuta Ocupacional, o Nutricionista, o Podologista ou o Enfermeiro. Da actuação destes vários profissionais de saúde resultam variados tratamentos, desde exercício a talas para estabilização de articulações inflamadas, tratamentos locais, orais ou injectáveis, infiltrações articulares ou cirurgias ortopédicas, com o objectivo de diminuir a dor e a inflamação, reduzir a progressão da doença, melhorar a incapacidade e restaurar a função das articulações afectadas.
• Fisioterapia: É muitas vezes esquecida ou usada apenas em fases avançadas da doença, quando na verdade pode ser muito útil também nas fases iniciais. É eficaz no alívio da dor e da rigidez articular, permitindo o ensino de exercícios e a correcção de gestos e posturas que podem prevenir outros problemas futuros.
• Anti-Inflamatórios Não-Esteróides: São uma classe de medicamentos onde se inclui a Aspirina, o Ibuprofeno, o Naproxeno, o Diclofeac e os Coxibes, entre outros. Partilham propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, sendo utilizados em diversas situações. Na artrite, são utilizados precocemente para o alívio da dor, da inflamação e da rigidez. Podem ocorrer efeitos adversos gastrointestinais, hepáticos e cardiovasculares, que a maior parte das vezes são evitados mediante terapêuticas protectoras ou adaptação do fármaco ao perfil de risco do doente. Também existem formulações de aplicação tópica – cremes, loções ou sistemas adesivos – que actuam directamente sobre a articulação ou tendão afectado, embora o benefício seja por vezes limitado.
• Injecções de Corticóides: a injecção de um corticóide directamente na articulação é um método muito eficaz de controlar a inflamação numa fase precoce, quando existem poucas articulações envolvidas e estas são de grande dimensão e fácil acesso, como o joelho. A melhoria da dor e a recuperação da mobilidade são habitualmente rápidos, e os efeitos secundários são mínimos.
• Corticoesteróides: São medicamentos com efeito anti-inflamatório poderoso, podendo ter um excelente efeito no tratamento de uma crise de agudização da artrite. São também utilizados a longo prazo em baixa dose para tentar manter um menor nível de inflamação articular, sem condicionar o aumento da toxicidade. Doses altas não devem ser utilizadas na Artrite Psoriática, porque posteriormente ao reduzir-se a dose podem ocorrer surtos de agravamento da psoríase.
• Fármacos Modificadores da Doença ou “Disease Modifying Anti-Rheumatic Drugs” (DMARDs): São um conjunto de medicamentos não relacionados entre si, mas que partilham a propriedade de reduzir a actividade inflamatória da doença a longo prazo, e deste modo prevenir a ocorrência de lesão articular. Os mais utilizados actualmente são a Sulfassalazina, o Metotrexato, e em menor escala a Leflunomida e a Ciclosporina, podendo a sua eficácia variar de acordo com o subtipo de Artrite Psoriática. De um modo geral, a maioria dos Reumatologistas utiliza a Salazopirina como primeira escolha, adicionando ou substituindo por Metotrexato mais tarde, se necessário.
• Agentes Biológicos: São fármacos obtidos através de biotecnologia, que têm como alvo uma molécula que desempenha um papel fundamental na amplificação do processo inflamatório na Artrite Psoriática – o TNFα, e que é comum a outras formas de artrite (Artrite Reumatóide, Espondilite Anquilosante) e à Psoríase. Actualmente existem três fármacos aprovados para o tratamento da Artrite Psoriática: o Etanercept, o Infliximab e o Adalimumab, habitualmente reservados aos doentes cuja doença não se consegue controlar com os tratamentos anteriores. São medicamentos extremamente dispendiosos, que requerem uma monitorização rigorosa, existindo recomendações específicas quanto ao seu início e à sua manutenção.
• Cirurgia Ortopédica: Nos doentes em que, apesar dos tratamentos e intervenções anteriores, ocorreu dano articular que resultou na perda de função de uma articulação ou em acentuada deformação, pode ser proposta a correcção cirúrgica. Esta consiste, na maioria das vezes, na substituição da articulação por uma prótese, como no caso do joelho e da anca, ou no realinhamento cirúgico da articulação, muitas vezes com fixação (denominada artrodese), como no caso do tornozelo ou das pequenas articulações dos dedos. A cirurgia habitualmente resulta na recuperação da função e melhoria da dor.
Dr. Filipe Barcelos