A Artrite Reumatóide tem implicações na forma como uma pessoa pode trabalhar ou desempenhar o seu trabalho. Contudo, trabalhar não só é importante em termos económicos, para o reconhecimento e para a auto-estima, mas também porque os doentes com AR que trabalham conseguem lidar melhor com a doença e esta não é globalmente tão grave quanto para aqueles que estão desempregados ou reformados.
Ter AR “não dá direito a reforma” e não implica que a pessoa fique desempregada ou seja menos válida em termos profissionais. No entanto, temos de tentar adaptar o posto de trabalho e aquilo que se faz com as limitações que advêm da AR. O seu objectivo e o dos seus médicos é conseguirem manter o seu posto de trabalho e a trabalhar o máximo possível de forma a sentir-se uma pessoa válida e com objectivos e sonhos profissionais iguais ou semelhantes aos das outras pessoas sem a doença.
Em primeiro lugar deve-se explicar às chefias, colegas e empregadores o que implica ter esta doença e ouvir o que se pode fazer para, mantendo o posto de trabalho, adaptar o que for necessário para continuar a desempenhar a mesma função. Em alternativa, poderá sugerir a troca de função na empresa para outra com menos carga, ou que seja possível desempenhar com menos dificuldade. Sabemos hoje que é mais fácil manter um doente com AR a trabalhar se for na mesma empresa, do que saindo e procurar outro trabalho.
Deve igualmente procurar ajuda no reumatologista, médico de família e igualmente no médico do trabalho da empresa por forma a em conjunto ter um plano que permita desenvolver a sua profissão da maneira mais normal possível.
Em situações de crise ou de complicações da doença poderão ser necessários curtos períodos de ausência ao trabalho, pelo que o contacto com os seus médicos é fundamental para definir quando é preciso, por quanto tempo e como se pode fazer uma reintegração gradual, quando necessário, nos postos de trabalho.
A reforma deve ser considerada uma última opção, não como alternativa ao desemprego mas apenas quando o doente está incapacitado para o trabalho. O doente com AR deve lutar sempre pelo direito ao trabalho e não pensar que a solução é a reforma, até porque a reforma não melhora globalmente a longo prazo o prognóstico da doença.
Dr. Luís Cunha Miranda