tit-Esclerose-Sistemica.png

Que tipo de abordagem diagnóstica é feita, quando suspeitar e o que fazer

O diagnóstico de ES é feito essencialmente pelo quadro clínico, com os seus sintomas e sinais sugestivos, a que se juntam alguns exames complementares de diagnóstico que podem confirmar a suspeita clínica.

Entre os exames complementares mais importantes salientamos:

a) Análises laboratoriais

A detecção de auto-anticorpos (anticorpos anti-nucleares – ANA) é quase universal nos doentes com ES. Alguns subtipos de auto-anticorpos estão mais relacionados com as formas localizada (anti-corpo anti-centrómero) ou difusa (anti-corpo anti Scl-70) da doença. A avaliação da função renal é também muito importante devido ao risco de envolvimento grave dos rins. Os exames de rotina períodicos, além de controladores de possíveis complicações da doença, podem servir para medir a actividade inflamatória (VS e PCR doseada).

b) Exames radiológicos

A radiografia de Tórax deve servir de exame de avaliação de base para a suspeita de fibrose pulmonar. No entanto, é um exame pouco sensível. Em caso de suspeita forte ou para melhor caracterização de um quadro de fibrose pulmonar pode ser necessária a execução de uma TAC pulmonar de alta resolução. A radiografia das mãos/pés pode servir para a comprovação da existência de calcinose cutânea.

c) Provas de função respiratória

A avaliação da função respiratória é essencial nos doentes com ES, pois detecta a repercussão funcional nos pulmões da fibrose pulmonar ou da hipertensão pulmonar. As provas de função respiratória devem ser pedidas sempre com a avaliação da “difusão do CO” e, por vezes, com medição dos gases do sangue (gasimetria). Os doentes com ES devem repetir periodicamente este exame.

d) ECG e Ecocardiograma

O ECG é importante para excluir a existência de alterações da condução cardíaca, as quais podem surgir na ES. O ecocardiograma é essencial para avaliação da função cardíaca e, muito importante, para despiste de uma hipertensão pulmonar, uma das principais complicações da ES.

e) Capilaroscopia

Trata-se de um exame simples realizado com uma lente com fonte de luz, que permite avaliar a microcirculação, geralmente a nível da base da unha. Este exame tem vindo a ganhar importância no diagnóstico precoce da ES, pois permite revelar desde cedo alterações (hemorragias, dilatações capilares) sugestivas do diagnóstico de ES.

f) Manometria esofágica

É um exame de mais difícil acesso do que os anteriores, mas que permite revelar alterações típicas da ES na função dos músculos esofágicos.

Após o diagnóstico de ES, o doente deve ser seguido pelo médico assistente no sentido de avaliar potenciais complicações ou evolução da doença.

A observação clínica e os exames complementares devem ser executados com a periodicidade que cada caso obriga, atendendo às características da doença e à intensidade da terapêutica. É muito importante manter esta avaliação regular, para evitar que os meios terapêuticos disponíveis só sejam utilizados já em casos muito evoluídos, onde a sua eficácia tem menor capacidade. Um diagnóstico precoce da doença e das suas complicações possibilita um aumento da esperança de vida do doente e uma vida com melhor qualidade.

Dr. Paulo Coelho