Pessoas com artrite reumatóide - doença inflamatória nas articulações - têm seis vezes maior risco de sofrerem um ataque cardíaco, segundo um estudo dinamarquês apresentado este mês no Congresso Anual da Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR). E esse risco, segundo os investigadores do Hospital Universitário Gentofte, é maior entre mulheres com menos de 50 anos, avança a Bibliomed.
De acordo com o Instituto Nacional de Artrite e Doenças Osteomusculares e de Pele, embora seja, muitas vezes, reconhecida como uma doença das articulações - causando dor, inchaço, rigidez e perda de função das juntas -, a artrite reumatóide pode ter impacto também noutras partes do corpo. Alguns doentes, por exemplo, desenvolvem anemia, dor de garganta, olhos e boca secos, vasculite, pleurisia e pericardite. “A artrite reumatóide é um factor de risco conhecido para o endurecimento das artérias, que pode levar a ataques cardíacos e derrames dez anos mais cedo do que em pessoas que não têm artrite”, revela o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, director do Instituto.
Com duração de dez anos, o novo estudo dinamarquês comparou doentes com artrite reumatóide e doentes com diabetes, de um total de mais de quatro milhões de pessoas - 10.547 tiveram artrite, e 132.868, diabetes. E os resultados indicaram que os primeiros tinham 1,65 vezes maiores riscos de sofrer um enfarte do que a população em geral, enquanto os diabéticos tinham 1,73 vezes mais probabilidades de sofrerem esse evento cardíaco. No entanto, a análise das mulheres com menos de 50 anos que tinham a condição reumática revelou um risco seis vezes maior de ataque cardíaco. Entre os homens, o risco seria semelhante para os dois grupos: 1,66 e 1,59, respectivamente.
O médico dinamarquês Jesper Lindhardsen, principal autor do estudo, observou que o risco de ataque cardíaco em doentes com artrite reumatóide é semelhante ao dos pacientes com diabetes, embora esses riscos sejam, muitas vezes, ignorado. “Os diabéticos, no entanto, já são pacientes monitorizados. São geralmente considerados doentes para gestão do risco cardiovascular intensivo, enquanto aqueles com artrite reumatóide não são”, alerta.
“As novas descobertas apontam a importância da implementação das recomendações do EULAR nos consultórios dos reumatologistas de todo o mundo, pois a detecção precoce e o manejo dos factores de risco cardiovascular são essenciais para o doente com artrite reumatóide, especialmente mulheres com menos de 50 anos, que são alvos significativos de ataques cardíacos associados”, concluiu o especialista brasileiro Sergio Lanzotti.