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Artrite reumatóide mal controlada custa mais 2,5 vezes

09-12-2010
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Um doente com artrite reumatóide custa por ano, em média, 2720 euros, mas os pacientes mal controlados representam um custo 2,5 vezes superior, revela um estudo do Instituto Português de Reumatologia (IPR), que será hoje divulgado.

O estudo, que será apresentado nas Jornadas Internacionais do IPR, que decorrem hoje e na sexta-feira, em Lisboa, avaliou os custos directos anuais associados à artrite reumatóide e concluiu que os custos anuais aumentam consoante o grau de actividade da doença.

«Os custos com um doente bem tratado e cuja artrite reumatóide está em remissão são, em média, de 1645 euros, enquanto num doente com a doença muito activa, por falta de seguimento médico e tratamento, os custos elevam-se até aos 4350 euros. A diferença é menos marcada quando comparamos os custos de um doente com artrite reumatóide baixa ou moderada, de 2370 para 2455 euros, respectivamente», refere o estudo.

Dos valores apresentados, 45 por cento são relacionados com gastos com medicamentos, 29 por cento com custos de consultas, oito por cento com exames realizados, nove por cento com as hospitalizações, sete por cento com hospital de dia e dois por cento com idas às urgências.

Em declarações à agência Lusa, Luís Cunha Miranda, reumatologista no IPR e responsável pelo estudo, adiantou que o mesmo foi realizado para se ter «a noção de qual seria o impacto do tratamento em termos de custos no caso da artrite reumatóide».

«O que ficou provado foi que, tratando bem os doentes e conseguindo a remissão da doença, nós conseguimos reduzir os custos», disse o médico, precisando que um doente não tratado «é duas vezes e meia mais dispendioso».

Com base nestes resultados e atendendo à recessão económica que se atravessa, o médico salienta a importância do acompanhamento clínico especializado dos doentes e destes seguirem o plano de tratamento.

No entanto, lamentou, estes doentes estão a ser «apanhados tardiamente» e «grande parte deles já chega deformado».

«Nós estamos a falhar completamente enquanto sociedade para estas pessoas. Nós não estamos a permitir que estas pessoas continuem a trabalhar e que sejam cidadãs em pleno direito», lamentou.

Para inverter esta situação e face ao envelhecimento da população, o reumatologista defende que é «fundamental haver planeamento, dar apoio às instituições que estão no terreno, ter mais reumatologistas em campo e utilizar bem os que existem».

O estudo foi realizado no último ano e teve uma duração de três meses. Envolveu um total de 353 pacientes, com uma média de idade de 59 anos (a amostra tem entre os 23 e os 85 anos) e sendo que 84 por cento são mulheres. Os doentes pertencentes à amostra têm em média oito anos de vida com artrite reumatóide.

Fonte: Lusa / Sol

Tags: IPR;