A Plataforma Mais Saúde, que representa mais de 400 mil doentes portadores de doenças inflamatórias auto-imunes, apresentou hoje, em carta enviada ao Ministro da Saúde, a sua profunda preocupação com o acesso dos doentes portugueses à inovação terapêutica, concretamente a biológica.
Esta apreensão surge depois de notícias publicadas nos órgãos de comunicação social dando conta que o Governo se prepara para apresentar medidas que têm em vista a contenção de despesa através da introdução de restrições no acesso a estes tratamentos.
A Plataforma Mais Saúde lembra que o acesso à terapêutica biológica permite hoje, a muitos doentes, manter uma vida activa e contributiva, evitando baixas por doença e reformas antecipadas por invalidez, que muitos recursos custariam ao Estado.
Na missiva enviada ao Ministro da Saúde, a Plataforma sustenta ainda que a inclusão de doentes em tratamento com medicamentos biológicos em Portugal tem por base critérios objectivos definidos pelo índice de gravidade de doença e não por qualquer critério subjectivo. O que, para a Plataforma Mais Saúde é um sinal evidente que “qualquer contenção de despesa nesta área conduzirá, necessariamente, a uma diminuição do número de doentes tratados”.
A Plataforma Mais Saúde reconhece a situação difícil que o país atravessa, mas “não pode aceitar que contenção da despesa venha a ser feita à custa do tratamento dos doentes, sobretudo, porque a limitação no acesso à terapêutica biológica implicará o aumento das reformas por invalidez, das baixas médicas e o recurso a outro tipo de medicação menos efectiva, que mais recursos vão consumir ao Estado ”, afirma Arsisete Saraiva, porta-voz da Plataforma Mais Saúde.
Para defender o direito de acesso a estas terapêuticas, Arsisete Saraiva afirma que “estamos dispostos a ir até às últimas consequências para assegurar a manutenção dos doentes nos regimes de tratamento actuais, bem como para garantir que mais doentes possam vir a aceder no futuro às melhores condições de tratamento existentes, em linha com as práticas europeias. Um doente de artrite reumatóide tem três vezes mais possibilidade de ser tratado com terapêuticas inovadoras em Espanha que em Portugal e tal não pode acontecer”.
As doenças inflamatórias auto-imunes afectam marcada e progressivamente os doentes, impedindo-os, em muitos casos, de viver uma vida normal. O diagnóstico precoce, a intervenção terapêutica antecipada e a utilização de medicamentos com maior eficácia, quer no tratamento sintomático, quer no controlo da progressão da doença, são fundamentais e contribuem para a sua melhoria e evolução clínica.
Criada pelas associações ANDAR (Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatóide) ANEA (Associação Nacional da Espondilite Anquilosante), APDI (Associação Portuguesa de Doença Inflamatória do Intestino) e PSOPortugal (Associação Portuguesa da Psoríase), a Plataforma Mais Saúde representa os cerca de 400 mil doentes que sofrem de patologias inflamatórias auto-imunes.
Dados Relevantes
- A Plataforma Mais Saúde representa cerca de 400 mil portugueses que sofrem de patologias inflamatórias auto-imunes
- Além destes, há que considerar um número difícil de definir de doentes não diagnosticados;
- O diagnóstico tardio contribui para um aumento de custos da doença e para uma menor qualidade de vida dos doentes;
- Um doente não tratado ou diagnosticado tardiamente é duas vezes e meia mais dispendioso para o Estado que um doente bem acompanhado;
- Nos casos das doenças artrite reumatóide e espondilite anquilosante, o diagnóstico é feito, em média, seis anos após o início dos sintomas;
- As doenças reumáticas são a primeira causa de absentismo laboral e uma das três causas mais frequentes de consultas do médico de família;
- As doenças reumáticas são a principal causa de reformas antecipadas;
- O recurso a terapêuticas inovadoras numa fase precoce da doença pode influenciar de forma significativa a produtividade e o regresso à vida activa dos doentes, diminuindo de forma significativa os custos indirectos causados pelas baixas por doença e reformas antecipadas.
- Portugal apresenta uma taxa de tratamentos dos doentes com terapêuticas inovadoras inferior à média europeia
- Um doente de artrite reumatóide tem três vezes mais possibilidade de ser tratado com terapêuticas inovadoras em Espanha que em Portugal