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Frio agrava dor crónica em doentes reumáticos

02-02-2010
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O frio agrava a dor crónica em doentes reumáticos. As baixas temperaturas provocam no organismo uma maior contracção muscular, o que faz com que aumente a rigidez e as dores articulares.

A vaga de frio que tem assolado Portugal Continental nos últimos dias tem sido especialmente crítica para os portadores de Doenças Reumáticas, como a Artrite Reumatóide e a Espondilite Anquilosante, que sofrem de dor crónica agravada. Segundo um comunicado enviado à TVNET, as baixas temperaturas provocam no organismo uma maior contracção muscular, o que faz com que aumente a rigidez e as dores articulares.

"Na maior parte dos casos, independentemente da patologia, as doenças reumáticas inflamatórias sofrem um agravamento sintomático durante o Inverno, uma vez que as baixas temperaturas representam um estímulo para o organismo, que reage mediante contracção muscular. A humidade afecta as terminações nervosas, agravando o quadro clínico deste tipo de patologias", explica o Dr. Luís Miranda, Médico Reumatologista e Director Clínico-Adjunto do Instituto Português de Reumatologia (IPR).

A associação entre as variações de temperatura e o agravamento das dores crónicas tem sido confirmada por diversos estudos. O IPR realizou uma investigação, no final de 2007, junto de 955 doentes para confirmar esta correlação. Do estudo ficou a saber-se que 70 doentes afirmaram que os factores meteorológicos têm impacto na evolução da patologia, nomeadamente na intensificação das dores crónicas, e 40 consideraram que essa influência é muito intensa. Outono e Inverno foram referidos como os períodos mais críticos, especialmente pelo frio e humidade.

"As baixas temperaturas devem permanecer por mais 10 dias em Portugal", acrescenta a nota. Para fazer face a este período crítico, os especialistas aconselham os doentes a usar várias camadas de roupa, adequar o vestuário ao local onde se está, evitar grandes oscilações de temperatura e ter especial atenção às mãos e aos pés, dando preferência a meias grossas e, se possível, um gorro para proteger a cabeça.

Recorde-se que a Artrite Reumatóide e a Espondilite Anquilosante são doenças reumáticas inflamatórias crónicas. Em Portugal há cerca de 90 mil doentes: 50 mil com Espondilite Anquilosante e 40 mil com Artrite Reumatóide. A Espondilite Anquilosante é uma forma crónica de artrite, não tem cura e atinge a coluna vertebral, ombros, ancas e joelhos. A doença tem uma prevalência três vezes superior nos homens que nas mulheres e afecta 1 a 2 em cada 200 adultos. O diagnóstico precoce e uma adequada condução médica são fundamentais para minimizar os riscos de incapacidade e deformidade. A Artrite Reumatóide é a principal doença reumática sistémica, devido à prevalência e problemas que suscita. Os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer idade. No entanto, geralmente revelam-se entre os 35 e os 50 anos. Quando não tratada precoce e correctamente, acarreta graves consequências para os doentes. Em 90 por cento dos casos a doença evolui com uma destruição progressiva e irreversível das articulações, provocando, deste modo, deformação articular com consequente incapacidade funcional.