Uma investigação do Instituto Estatal de Reumatologia da Rússia, apresentado no Congresso Anual da Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR), concluiu que mais de metade (63%) dos doentes com Artrite Reumatóide (AR) sofre, também, de algum tipo de doença psiquiátrica, principalmente depressão, avança comunicado de imprensa. De acordo com o estudo, a depressão e problemas associados – disfunções cognitivas e problemas de sono – são comorbilidades comuns nestes doentes.
Por outro lado, os doentes que sofriam de depressão (87% daqueles com alterações psicológicas), apresentavam também uma forma mais agressiva de AR, com maior incapacidade, dor e stress associados. Em 23% foram, igualmente, diagnosticadas disfunções cognitivas e outros 33% sofreram de problemas no sono.
“As alterações psicológicas são um factor de comorbilidade comum e incapacitante na Artrite Reumatóide. É fundamental avaliar e tratar globalmente estes doentes e a componente da saúde mental é de extrema importância para aumentar a qualidade de vida e reduzir a carga psicológica da patologia. A realização de um acompanhamento multidisciplinar é um factor crítico de sucesso neste campo”, defende Luís Miranda, Director Clínico Adjunto do Instituto Português de Reumatologia.
A Artrite Reumatóide é a principal doença reumática sistémica, devido à sua prevalência e problemas associados. Trata-se de uma patologia inflamatória, crónica, de causa desconhecida. Os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer idade. No entanto, geralmente revelam-se entre os 35 e os 50 anos. Quando não tratada precoce e correctamente, a AR acarreta graves consequências para os doentes. Em 90% dos casos a doença evolui com uma destruição progressiva e irreversível das articulações, provocando, deste modo, deformação articular e consequentemente incapacidade funcional.