Mais de 70% das mulheres diagnosticadas com artrite reumatóide sofrem com dores diárias, apesar do facto de 75% delas receberem medicamentos para alívio da dor, segundo estudo recente da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Avaliando dados de quase 2 mil mulheres com artrite reumatóide e idades entre 25 e 65 anos em cinco países europeus, além dos EUA e Canadá, os pesquisadores confirmaram que as pacientes sofrem muito com a doença, não apenas com dores físicas, mas com sentimentos de distanciamento e isolamento.
Os resultados indicaram que 72% daquelas diagnosticadas com a doença sofrem de dores físicas, apesar de muitas delas estarem em tratamento. Além disso, a pesquisa mostrou um impacto da artrite reumatóide nas relações íntimas: 40% das mulheres solteiras afirmaram que é mais difícil encontrar um parceiro; 22% das divorciadas ou separadas disseram que, de alguma forma, a doença teve um papel na sua decisão de se separar de seu parceiro; 68% das pacientes relataram esconder sua dor dos mais próximos; e 67% constantemente buscam novas ideias ou alternativas para amenizar ou acabar com a dor que sentem.
"Os dados confirmam que a dor física é a questão primordial para as mulheres com artrite reumatóide, mas a doença atinge-as mais profundamente, afectando o seu bem-estar físico, social e emocional”, destaca o reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti. “O trabalho destaca a complexidade do tratamento destas pacientes. É um processo que vai além do controlo dos sintomas ou do alívio da dor", completa o especialista.
De acordo com o médico, a adopção de estratégias de tratamento para reduzir a dor, restabelecer a produtividade no trabalho e de gestão do impacto social da artrite reumatóide é de grande importância na manutenção clínica desses pacientes. “O estudo aprofundado do impacto negativo da doença e da dor sobre a produtividade laboral das entrevistadas revelou que 71% das entrevistadas se consideravam menos produtivas por causa da artrite reumatóide”, conclui Sérgio Lanzotti.