O recurso a medicamentos biológicos no tratamento da Artrite Reumatóide (AR) pode diminuir em cerca de 10% o número de doentes obrigados a reformar-se por incapacidade. As conclusões são do estudo nacional LITE BIO (LIgação Trabalho REforma e BIOlógicos). De acordo com a investigação, a apresentar no próximo Congresso da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, em Abril, menos de 35% dos doentes com AR que recebem tratamento biológico têm necessidade de deixar a vida activa.
As doenças reumáticas, sobretudo a AR, têm um forte impacto socioeconómico. Um relatório divulgado pela APIFARMA, em Outubro de 2009, refere que a patologia tem um peso de 295 Milhões de Euros/ano para os cofres do Estado e dos próprios doentes. Perto de 60% deste valor deve-se aos custos não médicos, relacionados com o apoio social necessário aos doentes incapacitados, e custos indirectos resultantes da perda dos rendimentos, produtividade e morte prematura do doente. Estima-se que só as reformas antecipadas e diminuição da produtividade de cada doente de AR tenham um custo anual de 1070 euros.
“As doenças reumáticas são responsáveis por uma taxa elevada de reformas em idade produtiva, bem como por elevados níveis de absentismo laboral. O que este estudo vem sugerir é que a terapêutica com medicamentos biológicos pode ter efeitos muito positivos na diminuição das reformas precoces, com melhorias de 10% na percentagem de doentes obrigados a deixar de trabalhar”, explica o Dr. Luís Cunha-Miranda, Director Clínico Adjunto do Instituto Português de Reumatologia.
O Estudo LITE BIO (LIgação Trabalho, REforma e BIOlógicos) analisou a repercussão da terapêutica com medicamentos biológicos e revela a existência de decréscimo no número de pacientes obrigados a retirar-se devido à patologia. De acordo com a análise, apenas 34,5% dos doentes tratados com biológicos reformam-se devido à doença, um valor bastante abaixo dos registados em estudos anteriores, em doentes submetidos a outras terapêuticas, em que a percentagem de reforma antecipada rondava 43% a 49,6%.
Cerca de 33% dos doentes com AR em idade produtiva são obrigados a reformar-se por incapacidade três anos após o início da doença e 9,3% desenvolvem a incapacidade em dois anos. A AR afecta cerca de 40 mil pessoas em Portugal, na maioria mulheres. É a principal doença reumática sistémica, devido à sua prevalência e problemas que suscita. Trata-se de uma patologia inflamatória, crónica, cujas origens são ainda desconhecidas. Os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer idade. No entanto, geralmente revelam-se entre os 35 e os 50 anos. Quando não diagnosticada precocemente e seguida por Reumatologistas, a AR evoluiu para uma destruição progressiva e irreversível das articulações, provocando, deste modo, deformação articular com consequente incapacidade funcional.
A Schering-Plough é uma multinacional farmacêutica, sedeada nos EUA e presente em mais de 140 países. Emprega 51 mil colaboradores e, em 2008, facturou 18.5 mil milhões de dólares, sendo que 3.5 mil milhões foram investidos em I&D. As principais áreas terapêuticas em que actua são: Doenças Cardiovasculares, Distúrbios do Sistema Nervoso Central, Imunologia e Doenças Infecciosas, Oncologia, Doenças Respiratórias e Saúde da Mulher. A Unidade de Imunologia inclui as divisões Gastroenterologia, Reumatologia e Dermatologia.