“DEVOLVER ÀS EX-COLÓNIAS?”

“Devolver ou não às ex-colónias, eis a questão”. Não é minha intenção querer usurpar a famosa frase dita por Hamlet durante o monólogo da primeira cena do terceiro ato na peça homónima de William Shakespeare, mas antes fazer uso dela para, mais uma vez, constatar o triste espectáculo em que a nossa política se tornou, fazendo populismo barato com discussões fúteis que não  trazem qualquer benefício para o nosso país e para os portugueses.

Recordo que Hamlet não sabia se deveria viver ou morrer, da mesma forma que o que motivou o último espectáculo político mediático era discutir se Portugal devia, ou não, devolver todo o património (supostamente) das ex-colónias presente em território nacional e restituí-lo aos países de origem.

Existem aqui dois pontos a serem comentados; o primeiro, as declarações irrelevantes de um deputado e, o segundo, a proposta de devolução de património português às ex-colónias.

Relativamente às declarações do deputado que propôs a outra deputada, a qual representa um partido que é a favor da devolução do património às ex-colónias, ser esta devolvida ao seu país de origem, tenho a dizer que são apenas declarações menos felizes, provavelmente por aquele deputado ter ficado ressentido com a falta de amor a Portugal que determinados partidos e políticos demonstram ter.

Neste momento, e sem questionar pessoalmente o deputado, não posso considerar que as declarações sejam de teor racista, mas sim julgar que são declarações menos felizes de alguém que, impetuosamente, respondeu a uma deputada que quer retirar património a Portugal.

Por outro lado, não posso aceitar que o Partido Socialista tenha vindo rapidamente condenar veemente as declarações do deputado em questão, mas que não o faça quando um determinado dirigente do SOS Racismo faz declarações, essas sim, racistas contra os portugueses e contra Portugal.

E é aqui que nos devemos centrar, ou então voltarmos à (falsa) temática do racismo que vende jornais, mas que não contribui para o desenvolvimento do nosso país: deve Portugal devolver todo o património das ex-colónias presente em território nacional e restituí-lo aos países de origem?

Evidentemente que não!

Na minha humilde opinião, quem disser o contrário não respeita os 9 séculos da história de Portugal e nem os portugueses que morreram ao longo desse tempo nas nossas ex-colónias.

E não queiram ousar comparar-nos a outros países que decidiram devolver espólio a ex-colónias, porque Portugal, sem negar que tenham existido atropelos a alguns povos de ex-colónias, nunca praticou certos actos horrorosos que outros países praticaram.

Considero que, se deixarmos apagar ou alterar um momento que seja da nossa história, boa ou má, deixamos de ser o país que um dia governou metade do mundo e de podermos aprender com as nossas vitórias ou com os nossos erros.

Nesse sentido, se não terminarmos imediatamente com o absurdo de discutir as declarações menos felizes de um deputado ou da devolução de património às ex-colónias e passarmos a falar sobre os assuntos que são realmente importantes para Portugal e para os portugueses, qualquer dia estamos a votar a retirada da esfera armilar de ouro da bandeira portuguesa, por esta poder ser considerada racismo, visto ser o símbolo pessoal de D. Manuel I e representa a expansão marítima dos Portugueses ao longo dos séculos XV e XVI.

Por último, quero informar que o Partido Democrático Republicano irá apresentar sugestões públicas de alteração ao Orçamento do Estado, pois é sobre este documento tão importante para as famílias portuguesas que o Governo devia estar a falar e não se esconder atrás de protagonismo provocados por alguns deputados, que também é aproveitado por grupos parlamentares para desviar as atenções dos seus pobres desempenhos na luta por uma sociedade mais justa e solidária.