Posição do Presidente do PDR sobre a Eutanásia

Uma das situações com que sempre me comprometi foi o de pugnar pela pluralidade de opiniões e uma maior democratização da sociedade civil.

Por essa razão, hoje o PDR emitiu uma posição oficial sobre a questão da legalização da morte assistida, que passou pelo crivo da Comissão Política, que demonstra uma neutralidade relativa ao tema da eutanásia, para que os nossos militantes possam decidir em conformidade com o que a sua consciência ditar.

Todavia, considero que não seria um presidente intelectualmente honesto se não comunicasse também a minha opinião sobre este tema e ficasse apenas escudado na posição oficial e neutral do partido.

Assim, realço a democratização interna do PDR e a minha decisão de não impor uma posição pessoal sobre a eutanásia, como sendo a posição oficial do partido.

Desta forma, esclareço que caso tivesse sido eleito deputado à Assembleia da República votaria hoje, dia 20 de fevereiro, a favor da legalização da morte assistida (eutanásia) em Portugal.

Considero ainda que a eutanásia não é um direito que deva ser referendado, pois, ao contrário do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, onde também estava em discussão uma autorização sobre a morte de um nascituro, neste caso estamos perante um direito próprio, individual e que não afecta directamente terceiros.

Sendo assim, julgo que ninguém devia ter o direito de decidir sobre o meu direito a morrer com dignidade, já que uma vida passada numa cama em condições insuportáveis, quer físicas quer psicológicas, não é viver.

Muitas pessoas falam sem se aperceberem que estar vivo não é o mesmo que viver, tal como estar vivo não é apenas o acto de respirar ou de ter apenas um dos sentidos a funcionar.

Viver é muito mais do isso, é sentir, experimentar, sonhar, comer, correr, namorar, fazer amor, rir, ver, ouvir, falar e muitas outras coisas que fazem parte do que é a nossa humanidade.

Ficar privado da maioria dessas coisas não é viver e, na minha humilde opinião, nem se devia poder dizer que alguém nessas condições está verdadeiramente vivo, pois nessas situações o que acontece é que estamos perante um corpo que continua com alguma actividade física, nomeadamente a respiratória.

Penso que quem ama verdadeiramente o próximo não deveria tentar impedi-lo de morrer com dignidade.

E pergunto a quem é contra a legalização da eutanásia: qual a razão por que alguém considera que deve ter direito a decidir sobre a minha opção de querer morrer com dignidade?

Relativamente ao argumento dos cuidados paliativos e à falta dos mesmos em Portugal, considero que o mesmo não colhe em sede nesta discussão, pois os cuidados paliativos não nos permitem viver como expliquei acima, mas sim suportar melhor o facto de estarmos vivos.

No entanto, a falta de cuidados paliativos merece ser resolvida imediatamente, pois os nossos impostos não podem apenas servir para pagar os luxos da Assembleia da República, pois, a título de exemplo, ao contrário do que um certo deputado publicamente defendeu, até que os problemas do país não forem solucionados, nomeadamente os do sector da saúde, não vejo qual é o problema das viagens de estado serem realizadas com recurso a viaturas Clio e sem motoristas, entre outras situações até menos dignificantes para quem usufrui desses luxos pagos por todos nós.

Por último, assumo que sou pelo direito a viver com dignidade e a morrer com dignidade, assim como não aceito que outra pessoa lute para que eu sofra diariamente durante anos numa cama e sem qualquer esperança de melhorar.

Eu digo sim à eutanásia, porque a minha vida não é um direito de mais ninguém.

Presidente do PDR

Dr. Bruno Fialho