Os portugueses irão sofrer muito mais com a irresponsabilidade e as erradas opções do Governo, da Ministra da Saúde e da Directora-geral da Saúde do que com a pandemia do Covid-19.
Todavia, que ninguém se engane, a pandemia será, na mesma e para além do que já aconteceu, responsabilizada por todo o mal que ainda nos poderá acontecer, isto se não adoptarmos uma verdadeira estratégia global, quer económica quer de combate e prevenção ao Covid-19.
A falta de estratégia do Governo nesta guerra pandémica, aliado ao reiterado desinvestimento na área da saúde e ao ataque aos profissionais de saúde, principalmente, à Ordem dos Enfermeiros, são 3 elementos que, combinadamente, têm um efeito explosivo, com graves consequências que agora estamos todos a sofrer.
E são frases popularuchas como “a final da Champions é o prémio que os profissionais de saúde tanto merecem”, que demonstram que o Governo não tem respeito por eles, nomeadamente António Costa, e que os mesmos, infelizmente, não irão sair da equação explosiva.
Mas não nos podemos esquecer que no caso da saúde em geral, a população da classe média e baixa já sofriam com as longas listas de espera, com a paragem da construção de vários hospitais necessários em todo país e com a falta de médicos especialistas, entre outras situações.
Mas, debrucemo-nos em seguida na falta de estratégia do Governo no combate ao Covid-19.
Em primeiro lugar, convém esclarecer que esta situação epidemiológica não desaparece com o Governo a ser conivente com manifestações, comícios ou festas partidárias e a condicionar ou proibir idas à praia ou as festas dos Santos populares.
Esta dualidade de critérios apenas pode querer dizer uma de duas coisas: Ou o Governo e o Presidente da República admitem que afinal não se devia ter encerrado o país devido ao surto epidémico do Covid-19; ou então é a prova cabal da falta da capacidade de ambos para lidar com a pandemia e que não existe uma estratégia planeada.
Seja qual for a resposta, ambos têm de tratar tudo e todos por igual, sem olhar a cores partidárias ou escolhas pessoais.
E nem gosto de me lembrar dos reiterados equívocos da Ministra da Saúde e dos seus dois auxiliares, a Directora-geral da DGS, Graça Freitas, e o Secretário de Estado da Saúde, António Sales, que têm sido alvo da chacota diária dos portugueses devido às incongruências que têm proferido.
Para que se perceba melhor a incompetência do Governo e dos seus auxiliares, deixo aqui uma prova em como não existiu uma estratégia no combate à pandemia, recordando as declarações da Directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
Em Janeiro, Graça Freitas considerou “um bocadinho excessivo” a possibilidade de contágio entre humanos, dizendo até não existir “grande probabilidade” de o vírus chegar a Portugal.
Afinal chegou e já matou 1508 portugueses.
Depois, no dia 15 de Janeiro, no Infarmed, Graça Freitas disse que “não temos que estar alarmados” e que “há uma fraquíssima possibilidade de ele se transmitir de uma pessoa para outra, mas isso é apenas uma fraquíssima possibilidade por isso a propagação e eventual propagação não é uma hipótese neste momento a ser equacionada”.
Afinal o contágio não era uma mera possibilidade, mas uma certeza que já infectou 38 841 portugueses.
Já no dia 22 de Março, Graça Freitas disse “não use máscara, é uma falsa sensação de segurança”, para depois vir desdizer-se pouco tempo depois.
O problema da chacota que tem recaído sobre estas 3 personagens é que, por detrás do circo mediático diário a que assistimos na televisão, temos ainda a questão relativa às vidas humanas, que diariamente são perdidas por culpa dos reiterados erros do Governo.
Um dos graves erros cometidos por este Governo foi terem direccionado médicos e enfermeiros para trabalhar em exclusivo na telemedicina no combate ao Covid-19, em vez de estarem nos hospitais a atender todas as pessoas e não apenas aquelas que são suspeitas de estarem infectadas pelo Covid-19.
Mas, também já ninguém se recorda das dezenas de ventiladores que já foram pagos pelo Governo português, mas que ainda estão em lugar incerto.
Numa empresa privada, a pessoa responsável por essa aquisição seria imediatamente demitida, tal a incompetência demonstrada e o prejuízo causado à mesma.
Mais uma vez se comprova que nem na compra de material médico ou hospitalar existe competência ou uma estratégia eficaz por parte do Governo.
Sei que é complicado gerir um país quando é prática o “jobs for the boys”, mas Portugal e os portugueses precisam que haja uma estratégia competente no combate à pandemia do Covid-19, para que o sistema nacional de saúde não continue a ser destruído e para que daqui a pouco tempo não nos venham dizer que a culpa de tudo o que de mal poderá acontecer foi unicamente da pandemia do Covid-19.