A Associação dos Médicos Veterinários Municipais revelou que defende o regresso do abate dos animais nos canis municipais para resolver a questão da sobrelotação dos canis municipais. Sou totalmente contra esta forma de controlar o número de animais errantes, pois os animais não têm culpa de serem abandonados por outros seres estúpidos.

Se em vez de pedirem o regresso dos abates, porque não pedem um Plano Nacional de Esterilização e Castração, abrangente a todo o país?

Esta é, com certeza, uma solução muito mais humana e eficaz, pois além de diminuir o número de animais abandonados, representa um enorme apoio para muitas famílias de poucos recursos que não conseguem pagar 200 ou 300 euros pela esterilização ou castração dos seus animais.

E não são essas famílias de escassos recursos que abandonam os seus animais, mas sim aquelas com algum poder financeiro que, principalmente nos meses de verão abandonam os seus animais de companhia.

Apesar de cada vez mais hotéis, e outras instalações turísticas começarem a aceitar animais nas suas instalações ainda estamos muito longe do ideal que vemos noutros países do chamado mundo desenvolvido.

Também os chamados hotéis para férias dos animas estão a proliferar no nosso país, mas também neste aspecto a oferta ainda é escassa e por esse motivo chegam a cobrar preços exorbitantes, afastando as pessoas deste modelo.

Acredito que, com o aumento desse tipo de hotéis exclusivos para animais de companhia, os preços possam baixar de forma considerável e assim ajudar a uma redução do abandono dos animais.

Claro que eliminar por completo esse abandono é uma luta bastante difícil, devido á mentalidade ainda presente na sociedade portuguesa, mas olhando às preocupações que as novas gerações demonstram atualmente, acredito que essa luta não é impossível. Basta ver que os Países Baixos conseguiram eliminar por completo o abandono de animais.

Outro tema atualmente em discussão na sociedade portuguesa são os canis ilegais e não sabemos quantos serão. Aqui, confesso que, compreendo as preocupações e motivações dos proprietários desses canis. Muitas vezes querem dar um mínimo de condições a esses animais retirando-os da rua, mas dado que os apoios estatais que lhes são dados são muito poucos ou mesmo inexistentes, estes acabam por não conseguir esse propósito e acredito que o seu sentimento seja de impotência.

Neste ponto em particular, as várias Associações de Defesa dos Animais podem fazer mais e melhor.

Mais, porque se criarem uma Federação de Defesa dos Animais englobando todas as associações e canis de recolha de animais abandonados, poderão criar condições para darem maior apoio a esses proprietários de canis ilegais que se preocupam realmente com o bem-estar dos animais.

E melhor, pois existindo uma Federação de Defesa dos Animais, conseguem criar força suficiente para que a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) possa delegar funções de fiscalização dos espaços de recolha dos animais abandonados e formação aos proprietários desses mesmos espaços.

Claro que muitas das pessoas dessas associações não têm formação necessária para efectuar essa fiscalização ou dar essa formação, pelo que, também aqui a DGAV pode ser uma entidade formadora, deixando assim de ser apenas uma entidade fiscalizadora das acções de uma Federação de Defesa dos Animais.

Esta solução pode ser implementada e arrisco a dizer que pode resultar em Portugal. Basta que exista vontade por parte dos políticos portugueses e por parte da DGAV.