Quando o poder é democraticamente fraco as coligações são o abrasivo áspero com o qual esse poder tem de se confrontar elas são necessários ainda que em situações de aparente contranatura porque em política o que parece é.

As coligações em política podem ser sentimentais, comportamentais, de interesse ou mesmo de tática política. Em qualquer destes modos da prática política será sempre um resultado de alerta para aqueles que exercem o poder: porque se tornaram fracos e  inoperantes porque não atingem os resultados que se propuseram.

Por mais que o Primeiro Ministro diga que a Coligação da Região Autónoma dos Açores é diferente daquela que em 2015 fez com o PCP e BE, não é para levar a sério porque a coligação tem o sentido democrático do termo: desalojar do poder quem o exerce mal em muitas vertentes.

O PS exerceu mal o poder na Região Autónoma dos Açores como está a exercê-lo muito mal no todo Nacional.

Por mau exercício do poder do PS, nas Finanças, na Saúde, na Educação e na Segurança o seu Governo terá de ser de lá desalojado e o modo desse exercício é a Coligação eleitoral. Revista a forma que revestir porque é mais nefasto ao poder democrático um poder viciado e clientelar que a coligação com partidos “xenófobos”.

Por sentimento o Dr. Cunhal votou e mandou o seu partido votar no Dr. Mário Soares, (lembram-se de engoliram sapos vivos?) para a Presidenciais de 1986; o comportamento e interesse nacional levaram ao acordo do “queijo”, (o célebre deputado do CDS) e a táctica política do Dr. António Costa que até sacrificou um correligionário para poder ascender ao poder.

Assim, as coligações são necessárias para, finalmente, conseguirmos quebrar o encanto do poder e a sua promiscuidade nas clientelas e caciquismos.

José M. Teixeira