O PDR – Partido Democrático Republicano lamenta a morte dos cerca de 104 animais que ontem, dia 18 de julho, na nossa opinião, foram assassinados na Associação Cantinho das Quatro Patas de Santo Tirso, em consequência da recusa e da proibição de um resgate de salvamento, que era urgente e necessário para salvar a vida das dezenas de animais que se encontravam no local, devido ao incêndio que deflagrou em Sobrado, no concelho de Valongo, e se alastrou para a freguesia de Agrela, no Município de Santo Tirso.

O PDR tem estado atento ao desenvolvimento dos acontecimentos e irá tomar todas as diligências judiciais necessárias caso o Ministério Público e o governo não cumpram com o seu dever.

Mas a tragédia que se abateu sobre estes animais e sobre a Associação não começou no sábado, pois em 2018 já tinham existido denúncias de maus-tratos aos animais que estavam naquele abrigo.

Por essa razão, não pode vir agora a Câmara de Santo Tirso dizer que não tem responsabilidades no que aconteceu.

Recordamos que a Lei n.º 8/2017, de 3 de Março, veio estabelecer um novo estatuto jurídico dos animais, fundado no reconhecimento da sua natureza enquanto seres vivos dotados de sensibilidade e assente no seu reconhecimento como seres jurídicos a valorar autonomamente, na medida do seu direito ao bem-estar.

As principais mudanças que as recentes alterações introduzidas no Código Civil tentaram trazer foi ao nível da mentalidade, ao deixar de classificar juridicamente os animais como coisas.

Todavia, as mentalidades demoram gerações a serem alteradas e o que aconteceu na Associação Cantinho das Quatro Patas de Santo Tirso é prova disso, pois a atitude de condicionar ou de proibir a salvação de animais indefesos é algo que tem de ser criminalmente punido.

Mas algumas perguntas têm de ser colocadas, porque há muita coisa não bate certo.

Não podemos acreditar que os soldados da GNR no local tenham impedido, sem qualquer razão aparente, que os populares entrassem em propriedade privada e realizassem o resgate dos animais.

Preferimos acreditar que a GNR impediu o acesso ao local porque o mesmo representava um perigo para as pessoas e que uma acção de salvamento naquele momento iria colocar a vida das pessoas em perigo.

Para que não subsistam quaisquer dúvidas, exigimos uma investigação célere ao caso e se vier a ser provado que não havia razões para impedir os populares de entrar no local e resgatar os animais, os responsáveis dessa força de segurança devem de ser exemplarmente punidos.

Por último, apesar de lamentarmos o que consideramos ser o assassinato de cerca de 104 animais, não podemos deixar de referir que é estranho que a indignação geral dos portugueses, explanada na petição pública criada há pouco mais de 24 horas e que já tem mais de 75 mil assinaturas, não tenha tido o mesmo paralelo quando o Governo e a Protecção Civil não actuaram diligentemente nos incêndios de Pedrógão Grande ou sempre que morrem bombeiros ou outras pessoas nos combates aos incêndios.