Nos últimos dias os portugueses têm observado uma guerra de palavras entre a Esquerda e a Direita portuguesa acerca da questão do racismo que recai, ou não, sobre a comunidade cigana.

Depois de ouvir os argumentos de ambos os lados, consideramos que os portugueses têm sido enganados pela Direita e pela Esquerda, como explicamos de seguida.

Mas antes de explanarmos o engodo que a Esquerda e a Direita promovem, para manter o seu eleitorado amarrado a ideologias extremistas, relembramos que hoje se comemorou o fim do regime nazi na Alemanha, que foi um dos maiores crimes cometidos contra a humanidade.

Qualquer ideologia extremista, da Esquerda à Direita, devia ser silenciada, porque mostra sempre o pior que há em nós e apenas serve os interesses de algumas minorias.

Mas nas questões levantadas pelo deputado André Ventura sobre a comunidade cigana, convém relembrar-lhe que existem outras comunidades com os mesmos problemas de criminalidade e que reiteradamente desafiam as autoridades policiais.

Sendo assim, qual a razão para que não tivessem sido estas também referenciadas por ele?

Todavia, seja qual for a razão, é inadmissível que o deputado André Ventura queira confinar pessoas de uma determinada comunidade ou etnia, isso é fazer-nos regressar aos tempos do nazismo da Alemanha na II Grande Guerra Mundial.

É aqui que constatamos que existiu um verdadeiro discurso racista do deputado sobre a comunidade cigana, o qual repudiamos veementemente, mas que impediu os portugueses em geral de debaterem os reais problemas e situações apresentadas pelo referido deputado.

Se por um lado temos um deputado e um partido que, por alguma razão, não consegue ou não quer passar a sua mensagem a todos os portugueses e prefere falar apenas uma linguagem extremista, por outro lado, temos uma geringonça de Esquerda que também não ouve nada nem ninguém e imitam o outro partido da direita ao falarem apenas para os seus eleitores.

Ou seja, perante uma situação em que a resolução do problema em concreto era o mais importante, a única questão debatida na Assembleia da República foi a do racismo, tema que foi aproveitado pela Direita e pela Esquerda para não se falar sobre os verdadeiros problemas dos portugueses, que eram e são o da criminalidade e do desrespeito às autoridades policiais perpetuado pela comunidade cigana durante o estado de emergência.

Mas, reiteramos, os problemas que existiram com a comunidade cigana também existiram noutras comunidades, que normalmente são protegidas por uma certa Esquerda, supostamente referenciada como elitista.

Independentemente de não nos revermos nas declarações menos próprias do deputado André Ventura, também não nos revemos na forma infeliz como o Primeiro-Ministro e a Esquerda desviaram as atenções dos reais problemas do país.

Como qualquer pessoa de bem, o PDR é e sempre será contra o racismo e a discriminação social, mas não podemos ser cegos em relação aos problemas que são perpetuados por comunidades específicas e isso não pode e não deve de ser conotado como racismo.

Efectivamente, existiram graves problemas com a comunidade cigana durante o período de confinamento, isso é algo objectivo.

Mas a questão dos problemas que a comunidade cigana provocou já não foram debatidos com o mesmo tempo e da forma que deveriam ter sido, pois a Direita não foi pragmática, pois sabia que ao falar de uma determinada forma conotada como racista iria aproveitar o espaço que tem perdido na comunicação social e a Esquerda, por incapacidade de resposta, fez soar os tambores do racismo, tal como sempre faz de cada vez que se aborda um problema causado por determinadas comunidades.

Claro que não apoiamos o tipo de discurso do deputado André Ventura, mas será que é mais importante discutir a forma do seu discurso ou o problema que realmente existiu e existe?

Será que por se falar unicamente do racismo existente nas palavras do deputado André Ventura as questões por ele apresentadas vão deixar de existir?

Será que os portugueses aceitam que a maioria da comunidade cigana se tenha recusado a cumprir o confinamento e a realização de testes ao Covid-19, que apenas foram feitos a conta gotas com recurso a mediadores, sabendo que não há relatos que outras comunidades os tenham recusado?

Será que os portugueses aceitam que a maioria da comunidade cigana tenha continuado a realizar casamentos, alguns até contrários à lei portuguesa, sem respeitar o Estado de Emergência?

Será que os portugueses aceitam os acontecimentos de violência contra agentes de polícia, que aconteceram em bairros de comunidade cigana?

Se efectivamente existiu e existe um problema específico na comunidade cigana, não seria melhor debater a melhor forma para eliminar esse problema do que discutir se podemos ou não dizer “ problemas da ou com a comunidade cigana”?

Mas questionamos o seguinte: será que já não há racismo quando 136 pessoas foram detidas por desobediência no terceiro estado de emergência e a comunidade cigana saiu impune das desobediências que fizeram à vista de todos nós, sendo que algumas delas foram filmadas pelas televisões?

Para que não existam dúvidas, lamentamos a forma racista como o deputado André Ventura apresenta os problemas sociais e criminais, principalmente porque desvia a atenção das pessoas da resolução dos mesmos.

Mas também repudiamos a forma como o Primeiro-Ministro e a Esquerda portuguesa, que neste assunto foi comandada pela deputada Catarina Martins, continuam a branquear toda e qualquer actividade criminal protagonizada por grupos específicos de cidadãos ou por determinadas comunidades étnicas.

E se existem problemas em comunidades étnicas a responsabilidade maior é dos deputados da Assembleia da República, porque têm o poder para mudar as cosias e uns porque só comentam as palavras, outros porque apenas destilam ódios raciais.

Vamos meter mãos à obra e tratar devidamente os problemas da nossa sociedade, nomeadamente deixar de defender qualquer pessoa que cometa um crime apenas porque fica bem colocar o assunto do racismo em cima da mesa.

Se cometeu um crime merece ser condenado, o que normalmente não acontece no nosso país, pois muitos continuam à solta porque as forças policiais não conseguem entrar em vários bairros, como, por exemplo, na Assembleia da República onde ainda subsistem alguns criminosos sem condenação.

Portugal não necessita de discussões sobre quem é mais ou menos racista, os portugueses necessitam de quem resolva os seus problemas e é nesse ponto que o PDR se distingue dos demais.