Desemprego em Portugal

Desemprego em Portugal. Quem ainda se lembra do caso Madof nos Estados Unidos Americanos? 

O despoletar da crise global financeira que iria trazer consequências negativas até aos dias de hoje, destabilizando por completo as frágeis economias Europeias como o caso da Portuguesa.

Pois é. A nível nacional, também seguiu-se caso após caso envolvendo personalidades públicas outra hora inimagináveis de corruptos e vígaros. Ainda se lembram deles? Tal como no filme, “Os indomáveis”, não se preocupem. Ainda estão bem e de boa saúde.

Talvez o mesmo não se possa dizer do Zé Povinho. Com o vazamento da Classe Média em Portugal, sendo esta sempre chamada a pagar pela má gestão e falta de pró-actividade dos nossos governantes habituais, o desemprego atinge, e perspetiva-se agravar na Classe dos Licenciados, uma proporção nunca antes vista. Assim nasce uma nova classe social: Desempregados e com grau académico – DGAs. 

Olhando ao presente, para quem não saiba, no passado, o ensino tinha os seus “quês”, mas a reputação de quem obtinha um curso universitário era legitimamente positiva. Hoje, com o tipo de ensino governamentalizado pelo princípio de que os alunos saem da escola a saber o que quiserem reter dos ensinamentos dos professores, chegando ao cúmulo político de “não às retenções” e mesmo balizando o ensino pelos mais fracos, prática comum na maioria das escolas públicas, desprovendo os professores de quaisquer armas, temos e vamos ter licenciados ao nível da geração de 70 quando acabaram o ensino secundário! 

Já não há trabalhos oficinais, não há uniformização das matérias e livros de norte a sul do país (instigador dos monopólios dos editores escolares e desvios de capitais públicos disfarçados para outras entidades), serviço militar obrigatório (ajudava os alunos a aplicarem-se no estudo na procura de aceder a reserva militar por ingresso no ensino superior) e muito menos profissionalismo das direções escolares para assegurar credibilidade no sistema e motivação dos professores para que estes sejam bem sucedidos nos ensinamentos aos alunos, que, infelizmente agora, se constata indomável, desgovernada,  a carruagem do ensino em Portugal. Haja a promoção da desigualdade pelo Governo mais uma vez. Que serão das crianças e famílias que não têm Internet, formação, e ou meios tecno-informáticos? 

Não se vê redução de impostos nem de desburocratização do sistema evitando duplicação de serviços e custos inerentes por parte do Governo.  Os monopólios praticados pelas Telecom continuam. Os reguladores estatais veem-se desprotegidos legalmente para actuar devidamente e alguns são mesmo incompetentes para o fazer. Porque razão, somos obrigados a pagar uma fatura elevada, muito acima da média Europeia, para ter Internet? Obrigado a isto para satisfazer o comodismo dos Políticos e funcionalismo público pois até a declaração de IRS obrigatória tem de ser feita por esta via e mesmo outros serviços básico. 

Voltando à Escola: Excesso de carga horária, excesso de conteúdos programáticos, excesso de alunos nas salas de aulas, são o dia a dia das escolas e dos professores. Estes últimos, consciência de que metade matéria lecionada só é retida pelos alunos na véspera dos exames/testes, passando ao esquecimento subsequente, veem-se obrigados a injectar as matérias por forma a cumprir o que o Governo lhes impõe. Quem manda chama a isto “cultura geral”. Não será estupidificação dos decisores, muitos lá colocados sabe-se lá como?  

O que interessa “cultura geral” neste contexto? Quem a quiser, melhor ferramenta de que a Internet é impossível!   O foco do ensino e no ensino deveriam ser as bases para o raciocínio e o que realmente interessa de matéria para estruturar um percurso académico especializado. 

Outros Países bem-sucedidos apresentam 2/3 do conteúdo programático até ao secundário e mesmo em alguns cursos superiores, relativamente ao nosso País. Ridículo é que muitas das nossas licenciaturas continuam sem valor no Estrangeiro exatamente devido à falta de especialização das mesmas nas matérias relevantes. Exemplo disso são os cursos de Engenharia civil Portugueses vs Belgas/Flandres.

Só a criatividade e perseverança do Português e do seu empenho no trabalho, desvalorizado constantemente pelos decisores Políticos e Empresariais Portugueses, estranhamente muito valorizado pelos estrangeiros, é que nos faz superar diariamente os obstáculos e complicações burocráticas geradas pelos sucessivos governos até então. Oram vejam as medidas restritivas que o Governo tem vindo a decretar para combate à Crise oriunda da Pandemia, sempre passos largos atrás das medidas locais levadas a cabo pelas pessoas individuais e ou colectivas.  Graças a Deus estamos nas novas oportunidades políticas! 

Os novos partidos políticos emergentes são a melhor prova da merda (sim, Merda!) do que constantes governos têm vindo a fazer. Sejamos realistas, o Zé Povinho também tem a sua quota parte de responsabilidade! Alguns, sem qualquer tipo de formação política, caem nos extremismos de que todos repugnamos e ao mesmo tempo gostávamos de ver implementados em determinadas situações e ocasiões. Outros que são um logre, procurando protagonismo pessoal. Outros sim, lá conseguem transmitir ao Zé povinho pouco crédulo na Política, que realmente pode e há alternativas válidas e exequíveis.

Felizmente, temos muitos decisores desconhecidos do público. Embora sonegados de voz pública, quer pelos Mídias controlada pelos coniventes do sistema, quer pelo poder local político, lá vão contribuído para que isto não chegue a pior.

Há empresas onde é um prazer trabalhar, há pessoas informadas e prontas a ajudar no funcionalismo público com quem há prazer em falar, há muita boa gente que infelizmente não lhe dão vós e dispersas nada conseguem fazer de melhor limitando-se à sua área de envolvência. O sistema promove a divisão para reinar.

Na cultura Portuguesa e mesmo Europeia, a disciplina política foi deliberadamente sonegada à população no geral. Tal como está escrito na lei, a prática de um crime pelo desconhecimento da mesma não justifica o acto, pois todos somos por lei obrigados a saber a Lei. Que escolas do 3ºciclo e secundário, integram disciplinas sobre o Básico do código Civil? 

Seguindo o raciocínio, temos Igualdade de oportunidades? Vivemos mesmo em democracia? Não está o Governo a promover a desigualdade social, transmitindo à população a ilusão do contrário, favorecendo uns em detrimento de outros? 

A aposta no ensino, na modernização do ensino, no incentivo à investigação, no acautelar de lobbies diferenciadores das classes operárias e direito à justa ocupação dos postos de trabalho legítimos, é um alicerce do progresso, de uma melhor sociedade. Que apostas têm sido tomadas neste sentido? Porque razão um Português com média académica de 14 valores, consegue uma licenciatura em medicina numa especialidade em Praga, república checa, e mesmo em Espanha, e em Portugal nem acesso a universidade de medicina tem? À que refletir nisto.

O grau de Bacharel, hoje desprezado e sem enquadramento político, foi no passado a nata dos operários inovadores da indústria e modernização do País. Os engenheiros técnicos. Hoje, é nos Politécnicos, que muita investigação profícua, mesmo com parcos recursos à disposição dos alunos, que se concretizam inovações. Entenda-se que por questões financeiras, mais uma vez à frente das pessoas, o Governo não reconheceu este grau académico, que na realidade é igual a licenciatura do tratado de Bolonha, promovendo o esquecimento destes académicos técnicos. É vergonhoso como o Governo promove a ilusão das pessoas, despreza os sacrifícios individuais e como se nada fosse, continua a chamar estas pessoas para salvar o País das suas incompetências e falta de visão, passando-nos constantemente atestados de estupidez e ignorância.

Agora, os Jovens desprovidos de capacidades sociais e operacionais, despertam para uma nova realidade. A desproteção total dos mais idosos pelos Governos sucessivos, deverá levá-los a pensar que está na hora de “fazer Política” para salvaguardar o futuro das vindouras gerações. O serviço militar obrigatório, que deveria ser num contexto Europeu, já poderá fazer sentido para a promoção da disciplina, respeito e rigor comunitário e social. As tais reguadas que os “antigos” professores davam por cada erro ortográfico, até podem fazer sentido agora. Pois era um mecanismo de imposição de respeito, autoridade e aprendizagem que muitos de nós passamos e continuamos vivos.

Hoje é numa minoria de famílias, graças a Deus (não vivesse eu num País maioritariamente católico), que se desautoriza um professor, que se premeia o mau aluno continuando a oferecer-lhe telemóveis, consolas etc, tendo ele péssimas notas e comportamentos. Isto porque nós e os nossos somos sempre melhores que os outros! Tal como o Governo pensou da forma como reagir à proliferação do Vírus.  E acha-se capaz de criticar Jair Bolsonaro “Este vírus não ataca o Povo…” Português!?

Jovens, foram as gerações dos 60, 70 e 80 que vos colocaram na situação de hoje, indefesos, com capitais e recurso significativamente díspares uns dos outros, com um futuro incerto conducente à instabilidade social. Não pensem que a crise não volta. Atuem politicamente. Não desprezem os ensinamentos dos mais velhos. Aprendemos todos com os erros.  

Hoje, a leva de desempregados passa por licenciados. Urge reformular o ensino para que seja mais focado no que interessa e nas profissões do futuro maioritariamente, urge unificar e simplificar os programas de norte a sul do País, os livros, as fichas, os testes e exames. Libertar tempo para desporto, promover o convívio público entre gerações, Famílias. Reformular as hierarquias e processos nas escolas. Libertar os Professores tornando os focados e motivados para ensinar, penalizando o acomodar dos mesmos. Transferir a gestão das escolas para Gestores capazes, competentes, agilizar a convivência e intervenção de toda a comunidade escolar, valorizando e promovendo relevância para as Famílias e Associações que as representam. Interligar a realidade do mercado de trabalho global e local nos cursos, nas vertentes de ensino e mesmo fazendo o elo de ligação com as famílias.

O Desemprego avizinha-se de forma surreal, urge prepararmo-nos para a realidade próxima e vindoura. É no ensino, na educação, na investigação que se vislumbra a tábua da salvação do futuro, do combate ao desemprego maciço.  É no ensino e na educação que se vislumbra o progresso e estabilidade de Portugal.

Nuno Gomes
Membro da Comissão Política do PDR