Habituámo-nos a comemorar todos os anos este dia, seja com os nossos filhos, sobrinhos ou alunos, preenchendo o dia com actividades, festas, cinema, passeios ou jogos.

Todavia, o PDR pretende deixar uma reflexão da realidade e da frieza dos números acerca da violência que incide sobre as crianças.

Apesar de existirem organizações mundiais como a UNICEF, a ONU ou a OMS que têm dedicado e tentado defender os direitos das crianças, infelizmente, muito ainda há para fazer.

Não nos podemos esquecer de muitas crianças que não sabem que têm um dia dedicado a elas ou que nem sabem sequer que são crianças.

Existem ainda aquelas a quem é negado uma existência normal e que são usadas como soldados em conflitos armados por grupos extremistas e que de perto assistem a mortes, mutilações ou violações.

Segundo dados da ONU, a cada cinco segundos morre uma criança, em função de doenças, fatalidades ou violência.

E se observarmos os dados da UNICEF que nos dizem que, especificamente, são cerca de 8.500 crianças que morrem diariamente devido a desnutrição, possivelmente está respondida a questão que apresentámos em epigrafe.

Ou seja, a cada seis meses, morrem cerca de 3,15 milhões de crianças no mundo, devido às causas acima explanadas.

E o que você irá pensar se lhe dissermos que desde o início da nova pandemia mundial, ou seja, desde há precisamente seis meses, morreram cerca de 373 mil pessoas devido ao Covid-19?

Pois… Morrem 10 vezes mais crianças em seis meses, em função de doenças, fatalidades ou violência, do que adultos por Covid-19.

No entanto, o mundo parou devido ao medo de uma pandemia que afectou 373 mil pessoas em seis meses, quase todas adultas, mas nunca parámos por causa de uma pandemia que afecta por ano mortalmente 6,5 milhões de crianças no mundo inteiro.

Mas concentremos no que se passa em Portugal, teremos nós sinais de alerta? Parece-nos que sim!

Segundo a EAPN – Rede Europeia Anti Pobreza, Portugal é um dos países onde as desigualdades são mais evidentes. Existe a necessidade de políticas focadas na correcção dessas mesmas desigualdades, pois são precisas 5 gerações para uma criança sair da pobreza.

Contrariando todas as expectativas, em Julho de 2019 foi chumbado um Projecto de Lei que iria atribuir o estatuto de vítima às crianças que vivessem situações de violência doméstica.

Aqui o tão proclamado superior interesse da criança foi novamente relevado para segundo plano, deixando-as novamente desprotegidas deste flagelo, talvez porque existem interesses obscuros em alguns quadrantes de certos partidos políticos representados na Assembleia da República.

Essa é talvez a única forma de ser possível entender a posição dos nossos Deputados e Deputadas, já que Portugal foi um dos primeiros países a ratificar a Convenção de Istambul (Tratado Internacional de direitos humanos, em particular das mulheres e raparigas – Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica.

As nossas crianças merecem o melhor do mundo, juntos temos de acabar com a pandemia da violência contra elas, para que todas tenham direito a celebrar um dia mundial da criança.