Desde o 25 de Abril de 1974 que muita gente só se manifesta contra o fascismo e a favor da liberdade quando lhes convém. Decidi, por essa razão, escrever sobre um ataque, de certo modo fascista, quanto a mim, a um partido político, e respetivo líder, que tem ideais muito diferentes do PDR – Partido Democrático Republicano. Lidero um partido de centro progressista cuja génese reside na luta pela justiça, solidariedade e liberdade. Apoio ideias de esquerda ou de direita, consoante estas sejam mais-valias para o povo.

No entanto, um verdadeiro defensor da liberdade não pode ter duas caras: uma quando defende os que concordam consigo, e outra quando fazem ataques mais duvidosos a opositores políticos ou a quem discorda da sua forma de pensar. Deste modo, impõe-se questionar o artigo publicado no passado dia 22 de maio, em parangonas, na Visão, acusando o partido CHEGA, bem como o deputado André Ventura, de juntarem lóbis evangélicos ultraconservadores, setores imobiliários, extremistas encartados, eleitores desiludidos e poderosas milícias digitais sem apresentar qualquer prova objetiva para fundamentar o que está escrito ou sem sequer se darem ao trabalho de investigarem outros partidos para aferirem as “diferentes realidades”.

Uma das acusações apresentadas é a alegada manipulação dos portugueses por parte do CHEGA através da comunicação digital. Mas o que dizer da publicação de um artigo desta natureza apenas alguns dias após o Governo ter concedido um apoio no valor de 408 mil euros à Trust in News – grupo detentor da Visão? Não pode ser também qualificar de tentativa de manipulação dos portugueses?

E tudo isto num momento em que se questionava bastantes as recentes decisões do Governo no plano económico/financeiro na abordagem à crise provocada pela Covid-19 e que Mário Centeno parece cada vez mais uma “carta fora do baralho”. Parece-me demasiada coincidência a publicação de um texto com estas características.

O mais curioso é que os que agora tentam eliminar ou afastar o CHEGA, e André Ventura, da vida política nacional são os mesmos que o lá colocaram. Os erros cometidos por sucessivos governos, sempre em prejuízo de uma classe média trabalhadora que há muitos anos sustenta este país, aumentaram exponencialmente a popularidade de um partido, e respectivo líder, cuja única estratégia é dizer o que a maioria das pessoas quer ouvir.

Mas não é admissível que num Estado de Direito se use os órgãos de comunicação social para atacar, sem quaisquer provas, quem não partilha das mesmas convicções políticas. Tentar eliminar o CHEGA e André Ventura através de ataques falseados é dar mais força a ambos.

Evidentemente que quero combater as posições extremistas defendidas pelo CHEGA, mas também quero fazer o mesmo com algumas das ideias mais radicais do Iniciativa Liberal, nomeadamente quando ataca o SNS, os funcionários públicos e as escolas públicas, ou com as do PAN, quando procuram impedir o consumo de carne de vaca nas cantinas escolares ou desenvolver uma roda dos alimentos sem produtos de origem animal. Quanto às ideias radicais do BE, PCP, Os Verdes, PS e PSD, que todos estes partidos as têm, existem duas em que todos têm estado de acordo e que, para quem se arroga defensor da liberdade, faz-me muita confusão: o limitar do direito de intervenção na Assembleia da República a quem foi eleito individualmente; e continuarem a defender os deputados que mentem para terem direito a subsídios que não lhes são devidos.

Podemos não gostar, e muito menos apoiar, um determinado partido ou político, mas temos de respeitar a liberdade de todos, Tanto as forças de esquerda e centro-esquerda, porque a estes se devem muitas das conquistas de direitos laborais e sociais que os portugueses têm nos dias de hoje, tal como as forças de direita e centro-direita, porque modernizaram o país e promoveram o maior progresso económico que Portugal já teve.

Por isso, chega de atacar a liberdade. Atacar desta forma os opositores políticos é atacar direitos arduamente conquistados ao longo de anos. Quem fez revoluções nunca foram os partidos, mas, sim, os portugueses e estes merecem todo o nosso respeito pela liberdade.

Bruno Fialho

Presidente do Partido Democrático Republicano